Localizada próxima da Ribeira das Cabras, a Freguesia de Amoreira está integrada no Concelho de Almeida, distrito da Guarda, a cerca de 25 km da sede concelhia.
A actual freguesia de Amoreira engloba hoje o mesmo território que em tempos se designou Moreira de Castelo Mendo, que fazia parte da vila de Castelo Mendo. O lugar foi concedido ao Mestre Vicente, pessoa rica e de grande influência, que viveu numa das épocas mais conturbadas do reinado de S. Sancho II. Na verdade, a dita concessão não foi mais que uma extorsão ao concelho de Castelo Mendo, encoberta pela aparência de uma cessão amigável pelo concelho, com agrado do soberano ao famoso chanceler, já eleito bispo da Guarda.
No eclesiástico a freguesia foi uma abadia da apresentação alternada do Papa e do cabido da Sé de Viseu.
Administrativamente, pertenceu, como já foi dito, ao concelho de Castelo Mendo até 24 de Outubro de 1855, passando para o de Sabugal onde se manteve até 7 de Dezembro de 1870, data em que foi anexada ao concelho de Almeida.
Foi fundada nesta freguesia a Irmandade do Santíssimo em 7 de Dezembro de 1877, pelo Governador Civil da Guarda; conta hoje com 120 anos de existência.
Topónimo
O topónimo “Amoreira” é um dos derivados do étimo “amora”, fruto silvestre; neste caso e por documentos antigos se comprova que esta localidade tinha primitivamente o nome de Moreira, que por um fenómeno de aglutinação “a Moreira” deu origem a Amoreira.
Situada no extremo oeste do concelho e seu limite com o da Guarda, a freguesia de Cabreira dista 26 km da vila de Almeida. Com uma altitude média de 720 metros, está localizada numa encosta da margem direita da Ribeira das Cabras.
O povoamento inicial do território desta Freguesia deve ascender a tempos castrejos, ou pelo menos, à época da dominação romana.
A instituição paroquial de Cabreira deve supor-se posterior à Idade Média, pois que nos séc. XIII e XIV, pelo menos, não existia ainda, incluindo-se na vasta paróquia de Santa Maria de Castelo Mendo. De acordo com o tardio da ereção paroquial, local, e até com o do repovoamento (séc. XII), está o Orago, Santa Maria Madalena, que só no séc. XIV, ou mais tarde, começa a figurar como titular de templos. Em razão da origem e filiação, o cura de Cabreira ainda no séc. XVIII era anualmente apresentado pelo abade de Santa Maria de Castelo Mendo, com uma côngrua de 6 mil reis em dinheiro, além do pé de altar. A este concelho de Castelo Mendo pertenceu Cabreira até à sua extinção em 24 de Outubro de 1855, passando então para o de Sabugal até 7 de Dezembro de 1870, data em que transitou, em definitivo, para o de Almeida.
Em termos arquitectónicos, destaca-se a zona central da povoação, bem integrada na paisagem natural, e ainda a Casa Antiga, admiravelmente enraizada no ambiente tradicional, constituindo vivo testemunho da arte e da técnica de gerações passadas.
A Igreja Matriz, dedicada a Santa Maria Madalena, foi aumentada e reconstruída em Setembro de 1840, sendo hoje uma das mais belas e amplas do concelho. O edifício, comum à bela imagem do Orago, em pedra, na frontaria, sucedeu a um primitivo templo edificado em 1611.
Refira-se também a existência de diversas “alminhas”, de grande lavor, situadas nas encruzilhadas dos caminhos, datadas dos séc. XVII.
Situada num dos extremos do concelho, a uma altitude média de 800 metros e confinando com o concelho da Guarda, a freguesia de Parada dista 28 km da vila de Almeida e a cerca de 4 da estação de caminho-de-ferro da Cerdeira. O seu Centro Histórico é de relevante interesse, destacando-se o Largo da Igreja com construções em pedra, a Igreja de S.Domingos – construção barroca com campanário de período anterior -, uma pequena capela e casa da família Fernandes.
Pertence a esta freguesia o lugar de Pailobo, local de grande riqueza paisagística. Outro atractivo turístico desta terra é a zona do Barroco da Arbitureira.
Parada regista um surpreendente número de barrocos (Guincho, Pera Gorda, Estaca, Mesinha, Lapa Escura), rochedos de grandes dimensões, que os habitantes utilizavam para se esconder dos franceses. Vivia-se a conturbada época das invasões francesas. Os saques e as violências perpetrados pelos invasores traziam o País aterrorizado e o medo também chegou a Parada. A ansiedade era uma constante do quotidiano destas gentes. O período mais negro ocorreu durante a 3.ª invasão. Ali a pouco mais de 10 km de Parada, na margem esquerda do Côa, encontravam-se acampados os soldados de Napoleão. E nessa época havia já muito medo acumulado em resultado das anteriores invasões. Em Vilar Maior havia sido cometido um horrendo crime na pessoa da rapariga mais linda da terra. Bem perto, em Badamalos, esboça-se resistência passiva traduzida na expressão que andava de boca em boca: “Massena: come, bebe e dança que a tua cabeça não volta a França”.
São muito antigas as origens das terras que constituem esta freguesia, como atestam as sepulturas escavadas na rocha, existentes em Pailobo, e os lagares talhados na pedra que recuam a tempos imemoriais. Serão provavelmente dos tempos da romanização e a própria toponímia também nos poderá conduzir àquela época romana. Assim, o topónimo “Parada” estará relacionado com o local onde as caravanas dos romanos faziam “parada”. Não muito longe daqui, em Miuzela, passava a via romana que atravessava a serra de Mesas e junto ao Côa se dividia em dois ramos laterais: o da ponte de Sequeiros e o do Jardo. O caminho mais utilizado seria o caminho do Jardo por Pailobo, Parada, Pousada e Póvoa do Mileu com destino a Lamego ou Conímbriga. O caminho de Sequeiros conduzia também a Parada, onde os romanos procediam à tal “parada”, para de seguida irem restabelecer em Pousada.
Arqueologicamente notável foi o achado de uma tampa de sepultura com uma inscrição funerária em latim que traduzida diz: “Aqui jaz Talabo, filho de Cenão”. Trata-se de uma placa de granito, de grão médio da região, em qualquer moldura, que, pelo desbaste das arestas posteriores, encaixaria nos muretes da sepultura em que se apoiava. O epitáfio é bastante simples, gravado com caracteres que não apresentam sempre o mesmo módulo. Nalgumas hastes verticais notam-se ainda alguns ápices terminais, em forma de travessões horizontais.
Em 1758 era Tenente de Cavalaria, na Praça de Almeida, Manuel Vieira, natural de Parada, conforme nos informa o pároco de 1758 nas suas “Memórias Paroquiais”. Além de se referir as produções de terra (centeio, trigo, cevada e vinho) e a sua situação física da freguesia (lugar sito em terra plana), a maior parte das suas informações incidem sobre o património religioso. Haveria a igreja dedicada a S. Domingos com três altares: o principal, com a imagem do orago, uma pintura de S. Gonçalo de Amarante e outra de S. Caetano; outro, com as imagens do Senhor Crucificado (milagrosa), de S. Sebastião, do Menino Deus e de S. Bartolomeu; e o terceiro tinha uma imagem de Nossa Senhora do Rosário e pinturas de Santa Apolónia e de Santa Catarina. O padre falava ainda de várias capelas, entre as quais a de Santo Antão e a de Santo António e de uma capela, ainda nova, com imagens do Senhor Jesus Cristo e sem Altar”por causa da pobreza”.
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